Os Elefantes Não Esquecem, de Agatha Christie

2 de março de 2025 - Regiane Silva

Livro Os Elefantes Não Esquecem em uma estante com outros livros.

Livro: Os elefantes não esquecem;

Autora: Agatha Christie;

Editora: Nova Fronteira;

Publicado em 1972;

Páginas: 163;

Nota: ⭐⭐⭐

Sinopse

A renomada escritora de romances policiais, Ariadne Oliver, é abordada em um evento literário por uma mulher insistente que faz uma pergunta inesperada: o que realmente aconteceu com o casal Alistair e Margaret Ravenscroft, que foram encontrados sem vida anos atrás? Oficialmente, o caso foi tratado como um pacto suicida, mas a verdade permanece envolta em mistério.

Incomodada com a insistência da desconhecida e curiosa sobre o caso, Ariadne pede ajuda ao seu amigo, o detetive belga Hercule Poirot. Juntos, eles começam a investigar a morte do casal, entrevistando pessoas que os conheceram e que, como elefantes, “não esquecem” o passado.

Ao longo da investigação, Ariadne e Poirot reúnem peças desse quebra-cabeça intrigante, até que chegam a uma revelação chocante sobre o verdadeiro culpado e os segredos ocultos da família Ravenscroft.

Resenha

O livro mantém o estilo característico de Agatha Christie, com diálogos envolventes, pistas sutis e reviravoltas inteligentes. No entanto, a trama é conduzida de forma diferente do usual: há menos ação e mais reconstrução do passado por meio de testemunhos e recordações, já que o caso ocorreu há muitos anos. Isso torna a leitura um pouco mais lenta, mas também instigante para quem gosta de um mistério mais psicológico.

Como a investigação do detetive belga é sobre um caso que aconteceu há muitos anos, não temos a cena do crime nem os suspeitos e testemunhas para irem apresentando os fatos. O que temos é uma busca por essas testemunhas e a esperança de que as memórias delas sejam tão boas quanto as dos elefantes.

— Não existe uma lenda sobre a memória dos elefantes?

— Existe.

—Lembra uma história sobre um alfaiate indiano que enfiou uma agulha ou coisa parecida na presa de um elefante? Aliás, não foi na presa, e sim na tromba! Pois bem, anos depois, quando o elefante viu o alfaiate, encheu a tromba d’água e despejou sobre o homem. Isto prova que o animal não tinha esquecido. É minha tese: os elefantes não esquecem. Portanto, tenho que entrar em contato com alguns elefantes. (p. 29)

Hercule Poirot, como sempre, usa seu método baseado em as pequenas células cinzentas, confiando mais na psicologia dos envolvidos do que em provas físicas.

Ariadne Oliver, espirituosa e excêntrica escritora, adiciona leveza e humor à trama, funcionando como uma espécie de alter-ego da própria Agatha Christie. Muitas das emoções da personagem são características da autora, como não gostar muito de ir a eventos em que ela será o centro das atenções.

Falar em público não é meu forte. Eu ficaria nervosa e certamente começaria a gaguejar e a repetir as mesmas coisas. Eu me sentiria uma idiota! Com a palavra escrita é outra coisa. A gente escreve ou dita e elas se encaixam e saem maravilhosas… (p.11)

Os personagens secundários, os “elefantes”, são as testemunhas do passado, que ajudam a reconstruir a história com suas lembranças. Suas diferentes perspectivas montam o quebra-cabeça.

 O grande diferencial do livro é o foco na memória e em como as lembranças podem ser fragmentadas ou manipuladas. A solução do caso é bem amarrada, como esperado da autora. No entanto, achei o ritmo menos dinâmico do que em outras obras de Agatha. Foi bem arrastada a leitura dos depoimentos de todo mundo. Chegou a um ponto que parecia uma repetição sem fim da mesma história.

Não temos a apresentação dos suspeitos após o crime, o que sabemos sobre as possíveis vítimas (já que poderia ter sido um assassinato e não um suicídio) é baseado nas lembranças de pessoas já idosas que conviveram com o casal.

Os Elefantes Não Esquecem não é um dos romances mais movimentados de Agatha Christie, nem o meu favorito, mas se destaca por seu mistério interessante e pelo brilhantismo de Hercule Poirot ao desvendar verdades enterradas no passado. A relação entre ele e Ariadne Oliver também adiciona charme à narrativa. Gosto muito dessa personagem.

Um enredo bem construído, mas que pode parecer mais lento para quem prefere os casos mais dinâmicos da autora. Ainda assim, um ótimo livro para fãs da Rainha do Crime!

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Foto Regiane Silva Regiane Silva

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